O Clarão do Desperdício: Como o Porto Santo Trocou a Natureza pela Vaidade Iluminada

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Grupo: Porto Santo, a Ilha Dourada
A iniciativa "Mega Apagão" para salvar as cagarras expõe a hipocrisia de uma ilha que queima dinheiros públicos para iluminar ruas desertas, enquanto destrói a sua verdadeira riqueza natural em prol de grandes interesses.
A Ilha Que Quer Ser Vista do Espaço
Quem vive e conhece a fundo o Porto Santo sabe que a nossa terra é pequena, pacata e não precisa de grandes artifícios. No entanto, a julgar pela intensidade da iluminação noturna, parece que o grande objetivo de quem nos governa é que a ilha seja notada a partir de um satélite. Ao longo dos últimos tempos, assistimos à substituição das antigas lâmpadas de vapor de sódio — que nos davam aquela claridade amarela, quente e perfeitamente adequada — por projetores de luz branca, agressivos e fortíssimos. Para quê tanta intensidade num espaço tão reduzido? Ninguém pediu uma iluminação de estádio para ir à porta de casa.
Aves Afugentadas e Dinheiro Deitado à Rua
O impacto deste excesso luminoso está à vista de todos. Antigamente, era comum termos ninhos de aves mesmo aqui, perto das nossas casas e nos beirais. Hoje em dia, desapareceram quase por completo. A luz branca cega e desorienta aves como as cagarras, especialmente os juvenis que se esbardalham em terra em vez de seguirem para o mar. Mas o que roça o absurdo é a total falta de bom senso nos gastos públicos: em plena época baixa, às 3 horas da manhã, as luzes continuam ligadas em ruas onde não há uma única pessoa a pé nem a circulação de um único carro. É uma gastança inútil de dinheiro com eletricidade que não serve ninguém e apenas massacra o ecossistema. Não seria muito mais lógico instalar sensores de movimento, para que a iluminação só acendesse quando fosse realmente necessária?
Betão na Praia, Cimento no Porto e Árvores Nem Vê-las
Quando olhamos para o horizonte do Porto Santo, percebemos rapidamente quem manda. A flora e a paisagem natural estão em segundo plano, sufocadas por investimentos milionários na praia e no porto que só servem para favorecer o Grupo Sousa, com o seu Lobo Marinho, e os empresários hoteleiros. O cimento tem sempre passadeira vermelha, mas se falarmos da gritante falta de árvores na ilha, o assunto morre. Curiosamente, as mesmas associações ambientalistas que agora pedem apagões de três horas, ficam completamente ausentes e caladas quando se trata de exigir arborização a sério e de combater o despesismo luminoso nos outros 364 dias do ano.
Perguntas Pertinentes Que Ficam Por Responder:
- Se a tecnologia permite instalar sensores de movimento, quem é que lucra, de facto, com o desperdício de eletricidade a meio da noite em época baixa?
- Quantas mais cagarras e outras aves terão de morrer ou abandonar as zonas habitacionais até se admitir que a luz branca é um erro ambiental crasso?
- Porque é que o erário público flui tão facilmente para infraestruturas que beneficiam os hotéis e o porto, mas não há um cêntimo para plantar e manter um cordão florestal decente na ilha?
- Onde está a voz grossa dos movimentos ambientalistas contra a falta de árvores e a invasão do betão que beneficia sempre os mesmos grupos económicos?







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