Porto Santo entre o turismo e a capacidade da ilha: o que a Câmara está a decidir

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A Câmara do Porto Santo quer travar novos hotéis e definir a capacidade máxima da ilha. Dois temas recentes e as perguntas que deviam estar em cima da mesa.
A ilha tem 43 km², cerca de 5.200 residentes e uma praia de nove quilómetros. Em agosto, esse número pode chegar a 30.000 pessoas. É com esta escala que a Câmara Municipal do Porto Santo está a lidar quando fala de crescimento.
1. Travar novos hotéis e definir limites
Em junho, o presidente da Câmara, Nuno Batista, anunciou que a autarquia quer travar a construção de novas unidades hoteleiras ao longo da praia. Segundo a Lusa, o argumento é de espaço e de pessoas: cada unidade precisa de cerca de 500 trabalhadores. A Câmara diz que “o turismo de massas nunca será a nossa opção” e aposta num turismo organizado, apresentando a ilha como “refúgio de sentidos”.
A autarquia prepara também um plano de longo prazo para definir a capacidade máxima da ilha, incluindo fluxos de pessoas e de veículos. Os dados citados pela Direção Regional de Estatística referem 134.731 hóspedes em 2025, dos quais 37.648 estrangeiros, sem contar os cerca de 200 alojamentos locais.
Fonte: DNoticias (Lusa), 21 de junho de 2026
2. Oposição, apoios e transparência
A 16 de outubro, Nuno Batista publicou uma opinião no DNoticias sobre o papel da oposição. Defende que a oposição deve fiscalizar e apresentar alternativas, e não “estar contra tudo”. Refere uma discussão sobre o apoio municipal a um parque infantil e críticas nas redes sociais a apoios a clubes e associações, que considera contraditórias.
O texto é um posicionamento do autor, e convém lê-lo como tal. A questão de fundo, porém, é de interesse público: os critérios dos apoios municipais devem ser conhecidos e publicados, independentemente de quem os propõe.
Fonte: DNoticias, 15/16 de outubro de 2026
Algumas perguntas para pensar
- Que indicadores devem definir a capacidade máxima da ilha: camas, veículos, água, resíduos ou pessoas em simultâneo no pico de agosto?
- Se novos hotéis forem travados, quem garante emprego e habitação para os trabalhadores que o setor já recruta, incluindo a mão de obra imigrante de Cabo Verde e São Tomé?
- Os apoios municipais a clubes, associações e projetos são avaliados por critérios publicados, ou dependem de quem os propõe? Como se verifica?
- Para quem visita, a ilha continua a ter ligação aérea regular ao continente durante todo o ano? A Câmara diz que não, e considera isso injustificável.
Se conhece casos concretos de habitação, emprego ou transportes que estes temas afetam, deixe o seu testemunho no grupo Porto Santo, a Ilha Dourada.






